Fechado desde o início da pandemia de covid-19, o prédio do antigo IFRN Cidade Alta, na Avenida Rio Branco, passará por uma nova transformação e reabrirá ainda no segundo semestre deste ano – inicialmente com turmas de mestrado, mas com a proposta de oferecer diversas atividades ao público a partir de 2026. O espaço histórico abrigará o Centro de Tecnologia e Cultura Professora Luzia Vieira de França. A proposta é dar nova vida ao edifício com ações voltadas para tecnologia, cultura, inovação e empreendedorismo. A unidade também vai oferecer oficinas, exposições, coworking, cinema, teatro e rádio.
Em 2026, a expectativa é receber cerca de 1.200 pessoas por dia na unidade. De acordo com o reitor do instituto, José Arnóbio, a ideia é utilizar o prédio de forma compartilhada, com múltiplas atividades voltadas à comunidade e à educação. “A gente desenhou esse modelo da seguinte forma: um espaço da cultura e da tecnologia. Vai ter um hub de inovação. A gente já fez reuniões com o Sebrae, para levar algumas ações. A gente vai ter sala de coworking, um mestrado na área de inovação”, afirmou o dirigente da instituição.
O novo centro será gerido pelo IFRN e estruturado para atender diferentes perfis de público, com salas multifuncionais destinadas a cursos de formação inicial e continuada, especialmente voltados à comunidade da Cidade Alta. A proposta inclui ambientes voltados ao estímulo ao empreendedorismo e inovação. O local também terá um café, na antiga lanchonete, com espaços de leitura, de modo a promover a ocupação cultural e educativa da região central de Natal.
A área cultural incluirá oficinas de dança, teatro, artes visuais e audiovisual. O auditório do prédio será transformado em cineteatro. “A proposta é que o nosso auditório vire um cineteatro, onde a gente possa ter a possibilidade de levar a população daquele espaço, porque a gente quase não tem cinema hoje. Vai ter a Rádio IFRN também”, pontua José Arnóbio. A Rádio IFRN deve começar a funcionar ainda no segundo semestre deste ano.
Além das atividades educacionais e artísticas, o prédio contará com o Fab Lab — laboratório de fabricação digital — que poderá ser utilizado por estudantes e também por escolas públicas de Natal. “A gente vai ter um Fab Lab, um laboratório onde a gente vai ter a possibilidade de levar as escolas públicas municipais para dialogar com aquele espaço”, completa o reitor. A ideia é explorar toda a vocação cultural e histórica do prédio, que remete ao início do século XX.
O Museu do Brinquedo e o Memorial da instituição funcionarão no térreo do edifício, após a conclusão de obras estruturais. “A gente está trabalhando com isso, porque a gente precisa fazer a reforma no teto. A gente já esteve em contato com a Fundação José Augusto, porque ele não é tombado pelo Iphan, e sim pela FJA, e a gente já recebeu o aval para começar a reformar o teto. Na hora que a gente modificar as telhas, essa coisa toda, a gente acredita que já a parte lá de baixo do Museu do Brinquedo e do Memorial já começam a abrir”, diz.
A reabertura do espaço também tem um simbolismo para a Cidade Alta, diz José Arnóbio. A perspectiva é que o centro possa atrair mais pessoas para a Cidade e, consequentemente, resgatar o fluxo de pessoas do passado. O fechamento do IFRN Cidade Alta ocorreu na esteira do movimento de desocupação da região.
O edifício foi reivindicado, reintegrado e passou a funcionar como IFRN Campus Natal-Cidade Alta, em 23 de setembro de 2009.Em abril de 2016, o Campus Natal-Cidade Alta inaugurou sua primeira ampliação: uma nova Unidade no histórico bairro das Rocas, a cerca de 2 km de distância de seu histórico prédio na Avenida Rio Branco. Entre 2016 e 2020, as atividades de ensino, pesquisa e extensão foram gradualmente transferidas para a unidade das Rocas, que inicialmente funcionaria como um anexo, mas acabou abrigando toda a atividade da unidade localizada na Rio Branco.
TRIBUNA DO NORTE
Foto: Magnus Nascimento