A tarde de sábado (11) no palco Juntos Pelo Agro foi um prato cheio para quem enxerga nas águas o próximo ciclo de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Palestras técnicas, cases inspiradores e um gesto institucional concreto mostraram que a Economia do Mar deixou de ser promessa distante para se tornar trilha estratégica de geração de renda, inovação e exportações.
Certificação que abre marés: ostras de Guaraíras com selo do IDIARN
O ponto alto veio com a entrega do certificado de área de cultivo de ostras à Associação Ostras Guaraíras, de Senador Georgino Avelino, concedido pelo IDIARN. O documento atesta segurança sanitária e ambiental para produção — etapa decisiva para ampliar escala, acessar novos mercados e dar previsibilidade ao investimento produtivo.
A presidente Adailma Alexandre celebrou o avanço e reforçou o impacto social direto: 12 famílias já integram a associação e serão as primeiras beneficiadas pela expansão do cultivo.
Liderança do RN e o dever de escalar com sustentabilidade
O diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, destacou a força da cooperação entre produtores, academia e instituições de fomento. O RN, lembrou, lidera a produção nacional de ostras nativas e tem condições de transformar esse diferencial em marca de território — com rigor sanitário, manejo responsável e boas práticas de comercialização.
Do tanque ao mercado: piscicultura do Trairi mostra o caminho
Outro momento que prendeu a atenção do público foi a apresentação do projeto de piscicultura na região do Trairi, conduzido por José Aracleide de Araújo (Frigo Peixes). O que nasceu como iniciativa de um hotel-fazenda evoluiu para beneficiamento de tilápia e uma linha de derivados (almôndegas, hambúrgueres, linguiças e filés). Com apoio técnico do Sebrae, o frigorífico entra em fase de implantação para comprar peixes de todo o RN, encurtando distâncias entre produtor, indústria e consumidor.
Carcinicultura com ciência: manejo, sanidade e solo em primeiro plano
Em palestra didática, Luiz Peregrino (AcquaQuantica) defendeu os três pilares para uma carcinicultura sustentável:
1. Gestão específica por área de cultivo;
2. Sanidade como prioridade operacional;
3. Recuperação de solos com microrganismos benéficos.
A mensagem é clara: produtividade duradoura depende de ciência aplicada e controle de risco ambiental.
Economia do Mar: um ecossistema de prosperidade
O secretário-executivo do Cluster Tecnológico Naval do RN, Daniel Penteado Lana, lembrou que a Economia do Mar começa em terra: logística, agro, mineração e aquicultura exigem escoamento eficiente, e o modal marítimo é o mais competitivo. Somando aquicultura e pesca, energia eólica offshore e infraestrutura portuária, o RN tem um portfólio expressivo para atrair investimentos, desenvolver fornecedores locais e qualificar mão de obra.
Sabor que comprova tese
O encerramento trouxe uma degustação com camarão, ostras e atum — síntese perfeita do potencial produtivo potiguar e lembrete de que valor agregado nasce de qualidade, rastreabilidade e marca territorial.
Por que isso importa (e agora)
Diversificação econômica: reduz dependência de ciclos sazonais e amplia base exportadora.
Renda e emprego: oportunidades na produção, processamento, logística, gastronomia e turismo.
Sustentabilidade como vantagem competitiva: certificações e boas práticas abrem portas em mercados exigentes.
Integração de políticas públicas: sanidade, licenciamento, crédito, assistência técnica e infraestrutura portuária precisam caminhar juntos.
Próximo passo? Transformar vitrine em escala: consolidar certificações, acelerar o frigorífico do Trairi, fortalecer governança do Cluster Naval e estruturar rotas logísticas para que o RN navegue — com bússola e mapa — rumo à liderança nacional em Economia do Mar.




